Carreira em Dados: ‘Operador de Ferramenta’ vs. ‘Motorista Experiente’ (e o que o Mercado Busca)


Preciso dizer que eu sinto preguiça quando uma vaga tem como requisito “Experiência de 2+ anos com Power BI”. Pra mim a empresa está buscando um “operador de ferramenta” que só sabe apertar botões e não um “motorista experiente” que sabe guiar, não importa o carro. Prove que estou errado se for capaz.


A Armadilha do Operador de Ferramenta


O “operador de HB20” domina a ferramenta. Constrói dashboards que parecem um bolo confeitado de tão bonito. Contudo a decepção vem já na primeira mordida: falta recheio.

O operador sabe o que esses gráficos significam? E, mais importante, como usá-los para uma decisão estratégica? Ele dirigiu certinho o carro, mas o passeio, dentro da garagem, não levou a lugar algum.

Para causar boa impressão, ele poderia até abrir a porta do carro para você entrar, oferecer água e balinha (como faziam os motoristas em Uberlândia antigamente), infelizmente isso deixaria o texto um pouco maior, alguns ficariam com preguiça de ler e essa reflexão talvez não chegaria a tantas pessoas como ela pode chegar. Vamos então aceitar que esse é um caso perdido.


O Poder do Motorista Experiente: Contando Histórias com Dados


O “motorista experiente” entende que ferramentas como Power BI, Tableau e Qlik (e até seu HB20 se ele precisar sair para comprar café) são importantes, mas são só o “carro”. O diferencial é conhecer o “negócio”, traçar a “rota” (a pergunta de negócio) e chegar ao “destino” (o insight acionável).

Habilidades essenciais para analistas de dados incluem sim saber usar alguma ferramenta, mas a base é transformar dados brutos em uma narrativa clara e impactante, ainda que seja numa folha de papel com algumas canetas coloridas.


O Que o Mercado de Dados Realmente Busca?


Vagas ainda insistem em focar no “modelo do carro”, e sim, vou continuar torcendo o lábio quando o algoritmo mostrar no meu feed.

Cena do filme "O Diabo Veste Prada" em que Miranda Priestly torce o lábio em sinal de completo descontentamento com o vestido especialmente desenhado para aquela ocasião.
Só a minha opinião importa

Mas o mercado de dados amadurece. O que brilha é quem sabe o que comunicar com os dados, para quem, e com qual objetivo. O dashboard não é um fim, é o meio para contar uma história e impulsionar ações. A experiência em criar narrativas visuais persuasivas é o verdadeiro ouro.


Qual o futuro do profissional de Business Intelligence (BI) e de dados no geral?


Ferramentas mudam, logos mudam, a moda muda pra caramba — insight é o que fica. Com tanta automação e inteligência artificial, quem só domina botões vai ser facilmente substituído. Já quem entrega visão, quem resolve o problema complexo por trás do visual simples, também vai ser substituído em algum momento vira peça-chave e garante que você chegue ao destino, seja de HB20 ou de Mercedes.

Imagem mostra Karol Conká durante sua participação no BBB21 em uma cena clássica onde ela diz "minha língua é igual um chicote"
Minha língua é igual um chicote

Mande esse texto para um amigo e concorra a uma corrida em Uberlândia com open água e open halls. (sinto muito mas nem São Paulo, Rio ou Taxilândia oferecem o serviço)

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